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ENCRUZILHADA, um local de começo. Motumbá, Mukuiu, Kolofé
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A encruzilhada é um local sagrado, de oferenda para Exu, orixá mensageiro entre o orum (céu) e o aiê (terra), e quem deve ser o primeiro agradado em qualquer ritual do axé. "Exu é o mensageiro responsável pela comunicação entre o adivinho e Orunmilá, 'o deus do oráculo', que é quem dá a resposta e pelo transporte das oferendas ao mundo dos orixás." A exposição ENCRUZILHADA propõe um diálogo entre os acervos moderno e contemporâneo do MAM Bahia e do MAC_Bahia e a coleçãoo de arte africana Claudio Masella. Uma conexãoo material-espiritual espaçotemporal que busca revelar a potência da presença africana na produção artística brasileira com abordagens que transitam entre heranças estéticas, temáticas, sagradas e cotidianas, referendadas por artistas de diferentes gerações e peças de etnias provindas de distintas regiões africanas. O recorte apresentado para a reabertura do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho busca ressignificar, tensionar e valorizar a presença da energia africana nesse espaço, que outrora funcionou como um engenho de açúcar, movido pelo suor, sangue e as próprias vidas de escravizados provindos da África. A ENCRUZILHADA reconhece a urgência de ocupar esse prédio colonial com a riqueza do legado daqueles que sofreram inúmeras atrocidades no local. A ideia é expurgar uma falsa complacência estabelecida relação que existia aqui por meio de uma ocupação artística impactante. O momento é de revisar e de dar visibilidade àqueles que foram excluídos das narrativas historicamente difundidas, reconhecendo o Recôncavo, a Baía de Todos os Santos e o espaço museológico como áreas de trocas possíveis: entre artistas, obras e público; de misturas de linguagens e coleções; de conexões entre regiões; de representações fora do eixo; dos costumes cruzados; de distintas épocas. Tudo encruzilhado em um mesmo tempo-espaço, o agora - o museu, que reabre suas portas. Como disse Yá Stella de Oxóssi, "meu tempo é agora", e não deixaremos passar os racistas, homofóbicos, intolerantes e misóginos. Tão pouco o uso sem critérios ou desrespeitoso daquilo que é sagrado, ou ainda uma apropriação colonizadora que enxerga de fora e quer moldar do seu jeito. Na contemporaneidade, aquele que um dia foi objeto se torna sujeito que assume sua própria narrativa. A encruzilhada cria opções, revela percepções, abre caminhos e direções possíveis a partir de um olhar atento e afetivo, pois, como diz o provérbio iorubá. "?kàn ríran ju ojú l?" (o coração pode ver muito mais profundamente do que os olhos). Estamos todos na ENCRUZILHADA. Laroyê! Mojubá! Axé! Daniel Rangel - curador.

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